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quarta-feira, 1 de maio de 2013

eBook "Experiências de consumo contemporâneo" - download gratuito



No momento midiático em que vivemos – diante dos compartilhamentos, postagens, produções feitas pelos fãs ou até mesmo simples comentários nas redes sociais, torna-se cada vez mais importante entender as novas formas de produção, consumo e interação propostas pelas diferentes plataformas de mídia. A convergência dos conteúdos é hoje um dos grandes caminhos para se alcançar um público específico, o que anteriormente era mais complicado considerando as mídias de massa.

Pensando na relação entre as mídias convergentes, o consumo e os usuários, os pesquisadores Patricia Bieging e Raul Inácio Busarello criaram o projeto do livro digital “Experiências de consumo contemporâneo:pesquisas sobre mídia e convergência”, da Editora Pimenta Cultural.
Patricia Bieging e Raul Inácio Busarello (orgs.)
eBook gratuito: clique aqui para baixar
Este projeto surgiu da necessidade de descobrir e unir pesquisas e pesquisadores de todo o Brasil que estivessem estudando consumo e convergência midiática. “O foco principal estava justamente na vontade de mapear estudos voltados à temática e realizar o compartilhamento das pesquisas de forma gratuita e acessível”, diz Patricia Bieging. Porém, a chamada para submissão dos artigos ultrapassou as fronteiras e trouxe contribuições também de Portugal. Do Brasil participam do livro pesquisadores de Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo: Aline Francielle dos Santos Oliveira, Ana Melro, Beatriz Braga Bezerra, Brenda Lyra Guedes, Celso Figueiredo Neto, Felipe José de Xavier Pereira, Gabriela Falcão Klein, Lídia Oliveira, Lígia Stella Baptista Correia, Maria de Lourdes Bacha, Mariana Lapolli, Patricia Bieging, Raul Inácio Busarello, Roseméri Laurindo, Sílvia Almeida da Costa, Tarcísio Vanzin, Vania Baldi, Vania Ribas Ulbricht.

O livro traz em diferentes capítulos reflexões acerca da mídia, do consumo e da convergência. As abordagens partem da produção, da inovação e das formas de interação com o público, além de estudos que evidenciam a participação ativa dos usuários nas redes sociais. “Todas as propostas foram cuidadosamente avaliadas pelo nosso Comitê Editorial, formado por Mestres e Doutores de áreas afins. Temos a certeza de que as pesquisas trazem importantes contribuições para o campo científico e também mercadológico”, diz Busarello.

O eBook é dividido em 11 capítulos (clique aqui para download gratuito):

I - Convergência e erosão de espaços no meio rural português através do consumo das novas mídias, onde os autores abordam a questão do consumo de novas mídias/écrans por sujeitos nascidos nas décadas de 60 e 70 e residentes no meio rural português. Analisou-se o uso destas mídias em ambientes como: trabalho, escola, lazer e família.
Autoras: Ana Melro e Lídia Oliveira
Universidade de Aveiro – Portugal

II - Território hipermediatizado e convergências multilocalizadas: dialética entre terra e nuvens, traz uma reflexão acerca das relações com o espaço e as implicações dos serviços georreferenciados nas dinâmicas de apropriação do território.
Autores: Vania Baldi e Lídia Oliveira
Universidade de Aveiro – Portugal

III - Visualização da informação por meio da infografia digital: uma análise sob o ponto de vista da semiótica peirceana, traz a interpretação dos signos da tela inicial de um infográfico digital, demonstrando as ambiguidades e as contradições presentes no objeto.
Autores: Mariana Lapolli, Tarcísio Vanzin e Vania Ribas Ulbricht
Universidade Federal de Santa Catarina

IV - Publicidade infantil nos indicadores de sustentabilidade para agências, são refletidas as questões da publicidade e do merchandising direcionado ao público infantil, assim como a discussão acerca dos Indicadores de Sustentabilidade da Comunicação.
Autoras: Roseméri Laurindo e Aline F. S. Oliveira
Universidade Regional de Blumenau

V - Consumo, infância e marcas: estabelecendo vínculos através das redes sociais digitais, são analisadas as estratégias das ações publicitárias adotadas por empresas de grande destaque nacional, especialmente, com foco nas redes sociais para chamar a atenção do público.
Autoras: Brenda Lyra Guedes e Sílvia Almeida da Costa
Universidade Federal de Pernambuco

VI - A mídia e o envolvimento das crianças na produção de conteúdo cultural, apresenta a reflexão sobre o papel do consumo de produtos culturais e na possibilidade da participação ativa das crianças na produção de conteúdos.
Autora: Ligia Stella Baptista Correia
Pontifícia Universidade Católica - SP

VII - Aprendendo a (vi)ver com a Capricho: no evento NoCapricho, traz a pesquisa e vivência da autora durante o evento anual de música realizado pela Revista Capricho. Consumo, convergência e identidades são problematizadas através da experienciação e observação da pesquisadora.
Autora: Gabriela Falcão Klein
Universidade Federal de Santa Catarina

VIII - Virei um Big Mac: as classes CD e a vaidade fast food” traz uma pesquisa realizada com 420 indivíduos da cidade de São Paulo, onde são abordadas as questão da aparência e da vaidade por consumidores das classes C e D.
Autores: Maria de Lourdes Bacha e Celso Figueiredo Neto
Universidade Presbiteriana Mackenzie

IX - Fanfiction: possibilidade criativa nos ambientes digitais traz uma reflexão sobre as redes digitais provenientes de filmes brasileiros, tendo como objetivo analisar as possibilidades de participação e interação dispostas pelos produtores aos fãs. Além das ações de marketing adotadas que visam tal iniciativa.
Autora: Beatriz Braga Bezerra
Universidade Federal de Pernambuco

X - A subversão do sujeito: o produsuário nas interações em rede e relações de consumo apresenta uma reflexão sobre as novas formas de interação, participação e produção dos sujeitos frente às ações promocionais realizadas por grandes empresas, tanto do Brasil quanto do exterior.
Autor: Felipe José de Xavier Pereira
Universidade Federal de Juiz de Fora

XI - Telenovela e transmidiação: o caso da temporada Malhação Conectados, analisa como a narrativa apresentada na mídia televisiva serve de apoio para que o telespectador utilize o ambiente da web como agente de motivação e solidificação do produto midiático. A pesquisa tem como foco refletir sobre as possibilidades de interação entre o espectador e as formas narrativas apresentadas.
Autores: Patricia Bieging (Universidade de São Paulo) e Raul Inácio Busarello (Universidade Federal de Santa Catarina).

O livro já está disponível para download gratuito no site da Editora Pimenta Cultural - www.pimentacultural.com, menu: “publicação de livros”.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Livro: Populares e Perdedores: crianças falam sobre os estereótipos da mídia

No próximo dia 16/11 lanço o meu primeiro livro. O principal objetivo desta publicação é dividir com o público a minha pesquisa realizada entre os anos de 2009 a 2011. Este é um momento de alegria e de muita satisfação. Acredito que toda pesquisa que traga sérias e importantes contribuições precisa ser compartilhada. A partir das evidências apresentadas no livro acredito que podemos mudar alguns fatos e rever alguns (pré)conceitos.


SINOPSE:


A cultura das mídias possui grande participação no processo de construção de significados e identidades vividos pelas crianças. De forma complexa, colabora com a constituição de modos de pensar e agir, tanto no sentido da massificação e padronização do cotidiano, como abrindo espaços para processos alternativos de formação de identidade. A abordagem deste livro considera que as pessoas negociam, ressignificam e se apropriam de formas diferentes dos mesmos conteúdos. 

A pesquisa de recepção com crianças aqui apresentada foi desenvolvida a partir do seriado Hannah Montana e do desenho animado Zica e os Camaleões. Esta obra traz reflexões acerca de como esses sujeitos se relacionam com as representações identitárias produzidas pelas mídias, e como tais representações são eventualmente efetivadas nas suas práticas culturais cotidianas. O foco do trabalho está diretamente relacionado ao que as crianças dizem sobre as diferentes identidades midiáticas e como participam deste circuito. Apesar de as crianças naturalmente se dividirem em grupos, com ou sem a televisão, pois isso é próprio da vida social, foi evidenciado como isso acontece hoje a partir da televisão. Estereótipos como populares e perdedores, além de outros, se mostraram presentes no cotidiano escolar das crianças.

Entre os relatos a questão da violência, das práticas de bullying, mostrou-se diretamente ligada a esta classificação. Ficou evidente que uma das causas desta divisão entre as crianças está muito mais ligada à intolerância e a desigualdade social, do que unicamente no que as mídias podem sugerir.


A AUTORA:

Patricia Bieging é Publicitária, Especialista em Propaganda e Marketing e Mestre em Educação, na linha Educação e Comunicação, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. É pesquisadora assistente no Núcleo de Pesquisa Infância, Comunicação e Arte, do CNPq. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em telecomunicação, planejamento e marketing corporativo e cultural. Suas publicações abordam temas ligados a: televisão, transmídia, identidade cultural, estereótipo, subjetividade, práticas culturais e de consumo.

Capa e ilustrações: Raul Busarello.


ONDE COMPRAR:

- Livrarias Catarinense: internet e nas lojas de SC e SP.
- Mercado Livre: envio por carta registrada para todo o Brasil.
- Direto com a autora: patricia.big@hotmail.com - envio por carta registrada para todo o Brasil.

Em breve em outras livrarias do Brasil.

Curta a página do livro "Populares e Perdedores" no Facebook.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Publicitárias catarinenses integram equipe de produção em Mostra de Artes em SP

por Raul Inácio Busarello

As publicitárias catarinenses Patricia Bieging e Suzan Marina dos Santos participarão entre os dias 31 de maio a 20 de junho da produção da mostra “É crédito ou débito?”, que faz parte da Mostra SESC de Artes de São Paulo.

Suzan (esq.) e Patricia (dir.)
Sob curadoria de Josué Mattos, essa mostra tem como objetivo realizar ações urbanas em que os artistas e o público negociam a compra, a venda e/ou a troca de conversas, gestos, textos ou objetos simbólicos, discutindo questões sobre a sociedade de consumo e o mercado da arte. As publicitárias serão responsáveis por assessorar os artistas, percorrendo uma série de cidades do interior de São Paulo.

“Para mim essa será uma grande experiência, pois eu, como sendo uma pessoa do mercado, terei a oportunidade de nesse período refletir junto com os artistas o papel do consumidor versus a uma produção constante de bens simbólicos”, diz Patricia Bieging, que além da atuação no mercado tem várias publicações acadêmicas acerca da construção subjetiva a partir das práticas de consumo. Já Suzan Marina, conhecida no mercado por sua atuação na área de mídia, diz que esta experiência abrirá novos horizontes para a sua atuação profissional. “Terei a oportunidade de conhecer pessoas e lugares novos atuando em uma função que sempre tive a curiosidade de exercer. Acredito que será uma experiência maravilhosa”, diz a publicitária.

No período da mostra as publicitárias prometem nos manter informados sobre o desenvolvimento das ações.

Quem são elas

Patricia Bieging é publicitária, especialista em propaganda e marketing, e mestranda em Educação e Comunicação pela UFSC. Atua no mercado na área de marketing, planejamento e produção de eventos culturais e corporativos. Realizou trabalhos para o Grupo RBS, TV Record SC, Macedo Agroindustrial, Museu de Artes de SC, UFSC, Cartoon Network, HBO, Discovery Channel, Disney Channel, Viacom e ESPN.

Suzan Marina dos Santos é formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Estácio de Sá, tendo atuado nas principais agências de Florianópolis, na área de mídia. Com passagem pela Mercado Propaganda, Marcca, Criação, Neo Vox, e Gás Multiagência.

Fonte: Acontecendo Aqui

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ARTIGO: Perdedores e Populares: Glee e as representações estereotipadas na mídia brasileira

Artigo aprovado e apresentado no Congresso Internacional de Artes, novas Tecnologias e Comunicação 2010. Realizado de 27 a 29 de outubro de 2010 em São Paulo - SP.


Apoio: Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior (FUMDES), Secretaria de Estado de Santa Catarina.

Página do artigo: 368.

Resumo

Este artigo se propõe a realizar algumas reflexões sobre as representações dos estereótipos de “perdedores” e de “populares”, apresentados no seriado americano Glee, veiculado pelo canal FOX no Brasil. Partimos da hipótese de que estas representações identitárias vêm tendo presença importante na configuração ficcional de enredos voltados aos jovens, principalmente nas mídias e inclusive no Brasil. As principais bases teóricas são: Kellner, voltado para a cultura da mídia a partir da ênfase dos Estudos Culturais; Hall e Bauman, teóricos das identidades culturais.

Palavras-chave: comunicação; identidade cultural; cultura da mídia; televisão.

(Para abrir o artigo clique com o botão direito no link e depois em "abrir em nova aba ou janela". 
Apresentando o artigo no auditório da USP-Leste
Foto com Reinaldo um dos organizadores do evento.

ARTIGO: Harry Potter e a Pedra Filosofal: representações dos modos de ser

Artigo aprovado e apresentado no IV Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba – SP. Realizado de 27 a 29 de outubro de 2010.

Resumo do artigo:

Este artigo traz reflexões buscando, na história do livro Harry Potter e a Pedra Filosofal de JK Rowling, fragmentos da vida cotidiana que parecem ajudar a estabelecer significados e produzir subjetividades junto aos leitores. Porém, sabemos que a apropriação dos bens simbólicos e materiais oferecidos tanto na obra quanto nos produtos da mídia, apenas têm sentido quando se tornam parte da rotina dos indivíduos, quando passam a ser parte das ações do cotidiano. Assim, observou-se que os leitores podem ter, nas palavras da autora, uma ligação com a sua própria realidade, estabelecendo grande proximidade e identificação com as situações apresentadas na obra. As histórias dos personagens estabelecem ligações com acontecimentos cotidianos como, por exemplo, conflitos no ambiente da escola, a busca pela felicidade, atos de discriminação, além de outras situações destacadas nesta análise. O estudo teve como principais eixos teóricos: Douglas Kellner, voltado para as análises da cultura da mídia a partir da ênfase dos Estudos Culturais; Félix Guattari e Suely Rolnik, sobre os processos de construção de subjetividades; e Maria Aparecida Baccega, partindo da teoria dos discursos com enfoque no papel da palavra na vida social.

Palavras-chave: Cultura da Mídia. Subjetividade. Cotidiano.

 

Baixar artigo. 

(Para abrir o artigo clique com o botão direito no link e depois em "abrir em nova aba ou janela". 

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Populares" e Perdedores": crianças e produção de sentidos a partir do seriado "Hannah Montana"

Apresento aqui um breve resumo da minha pesquisa de mestrado.
Prazo para conclusão: agosto 2011.

Pôster apresentado no III Seminário de Pesquisa em Mídia-Educação, realizado nos dias 23 e 24/09/2010. CED/UFSC.

Mestrado em Educação, linha Educação e Comunicação - UFSC.

Clique em cima da imagem para ampliá-la.

domingo, 23 de agosto de 2009

Adolescentes: sexo, transformações e mídia

A adolescência é uma fase de transformações, desenvolvimento e novos conhecimentos, é a partir dela que o jovem começa a se descobrir sexualmente e criar seus próprios conceitos com relação à vida. Surgem muitas dúvidas e mudanças, seja ela na sexualidade ou na transformação do corpo, é neste momento que começam a acontecer o primeiro beijo, namorado e o interesse pelo início da vida sexual. Valentina Pigozzi (2002, p. 98), psicóloga clínica, farmacêutica-bioquímica e especialista em terapia de adultos, adolescentes, casais e família faz a seguinte colocação: “Na puberdade, o sexo deixa de ser uma possibilidade ou eventualidade para se tornar uma realidade, muitas vezes incômoda de início.”. Com essa passagem da infância para a adolescência aparecem as dúvidas, tabus, preconceitos e a falta de esclarecimentos, tudo novo e confuso para a cabeça do jovem. Segundo Foucault (1988, p. 13) “A idéia do sexo reprimido, portanto, não é somente objeto de teoria. [...] dizer que o sexo não é reprimido, ou melhor, dizer que entre o sexo e o poder a relação não é de repressão, corre o risco de ser apenas um paradoxo.” A partir desse momento, o jovem começa a buscar uma identificação dentro da sociedade, surgem assim os medos, vergonhas e incertezas.

Nesta fase, os pais não seriam os únicos confidentes, algumas vezes não serão eles que os jovens procurarão para contar segredos e dividir suas descobertas. Os laços familiares tomam outras formas e os pais passam a não participar integralmente da vida do adolescente como na infância, assim, as confidências passam a ser trocadas entre amigos, os quais também vivenciam as mesmas experiências.

[...] nem sempre ele falará com os pais a respeito de sexo e suas preocupações em relação a esse tema. Na maioria das vezes, o recurso utilizado será a troca de confissões e experiência com os colegas, buscando saber com os iguais como cada um está fazendo para lidar com temas espinhosos como masturbação e homossexualidade [...]. (PIGOZZI, 2002, p. 99)

A adolescência é uma fase de descobertas, de indagações e é justamente nela que acontecem os conflitos em casa, com os pais. Muitas vezes, os pais, não estão preparados para encarar a transformação dos filhos e passam a repreendê-lo e a impor regras. “Os jovens, por sua vez, para não preocupar os adultos, para adiar as broncas e as manifestações de decepção, preferem esconder lá no fundo do bolso ou embaixo do tapete os medos e as incertezas. Assumem então a irreverência e o descaso.” (COSTA, 1996, p. 22)

Assim, intimidado e não querendo criar preocupação, o jovem não encontra abertura para conversas com os pais. Dessa forma ele se vê na condição de ter que guardar consigo seus medos e incertezas para não precisar passar por repressão dentro de casa.

Com este processo de descobertas, sensações e desenvolvimento físico o jovem passa a buscar um espelho daquilo que gostaria de ser ou de se tornar após esta fase de crescimento. É a partir daí que ele procura na mídia estereótipos do que considera o ideal físico e intelectual, espelhando-se em artistas, sem perceber que estes modelos são produzidos para estar diante das câmeras. “Esquecem-se de que na mídia se estão diante de um personagem produzido, maquiado, sob iluminação adequada, com falas e comportamentos ensaiados, controlado por uma equipe especializada em trabalhar com o imaginário.” (PIGOZZI, 2002, p. 113) Dessa forma o adolescente imagina situações e representações de atitudes, além disso baseiam-se em relações sexuais apresentadas pela televisão, em novelas, as quais pode-se perceber, raramente simulam o uso de preservativos. “O adolescente não sabe como vai ficar quando terminar seu processo de crescimento, mas gostaria de escolher. Por isso, tenta se moldar a modelos fornecidos aqui ou ali, principalmente aqueles gerados pela mídia.” (Id. Ibid., p. 82)

Entrando no campo da interferência da mídia no desenvolvimento, observa-se que os jovens muitas vezes não possuem o entendimento para discernir as imagens, conceitos e preconceitos levantados pelos programas de televisão, principalmente pelas novelas. Nas situações apresentadas pelos programas de televisão raramente vemos discussões que tragam a informação completa e clara para o jovem. Em se tratando de novelas isso vai ainda mais além, levando em conta que os atores, nas novelas, retratam situações muito diferentes das vividas pela maioria dos adolescentes brasileiros, o principal é o fato dos atores que em cenas de relações sexuais raramente usam preservativos, mas não engravidam e não contraem doenças sexualmente transmissíveis, mesmo sendo casados ou tendo vários parceiros sexuais.

A maior parte dos pesquisadores concordaria que as novelas representam a visão mais sensacional, pouco apurada e adictivada da sexualidade adulta. O sexo extraconjugal é retratado oito vezes mais que o sexo entre pessoas casadas; 94% dos encontros sexuais exibidos são entre pessoas não-casadas [...]. Apesar de a menção ou uso de contracepção ser extremamente rara, as mulheres raramente engravidam; ninguém adquire DST a menos que ela ou ele seja prostituta ou gay [...]. Infelizmente, as adolescentes são espectadoras particularmente àvidas das novelas da tarde e as mais recheadas de sexo [...]. (STRASBURGER, 1999, p. 63)

O jovem perante programas como estes e sob a ilusão de que ‘com ele não acontecerá’, age da mesma forma na vida real, sem se dar conta de que nos espetáculos os acontecimentos são monitorados, ensaiados e não acontecem da mesma forma como nos é mostrado na televisão. “Existe a certeza de que com ele não acontecerá nada de errado, pois ele não se permite sequer pensar a respeito. Se não entra em sua cabeça, em seus valores, não acontecerá. Com ele não.” (PIGOZZI, 2002, p. 101)

Levantando todos estes aspectos e observando o comportamento dos jovens, podemos perceber que diante de um ídolo é mais difícil para o jovem entender que o artista preferido também precisa se cuidar, usando preservativos e contraceptivos, já que na mídia, em novelas, ele não usa ou por ventura não comenta o assunto publicamente.

Em um estudo de 75 meninas adolescentes, metade grávidas e metade não-grávidas, as adolescentes grávidas assistiam mais a novelas antes de engravidarem e estavam menos propensas a pensar que suas personagens favoritas das novelas usariam contraceptivos [...]. (Strasburger, 1999, p. 65)

Diante de tantos modelos – tanto da mídia ou em casa – de comportamento e de personalidade o jovem fica confuso quanto ao rumo que deve dar à sua vida. Em casa as conversas com os pais são difíceis para ambos os lados, com os amigos a conversa torna-se mais acessível em se tratando de jovens que vivem situações parecidas e na mídia as poucas informações chegam de forma compacta não sendo direcionada ao mundo do adolescente, desta forma trazendo ainda mais dúvidas e confusão nas informações relacionadas à sexualidade. E dúvidas é que não faltam, são muitas, por exemplo sobre o uso de camisinha, sexo, doenças sexualmente transmissíveis, tudo relacionado ao início da vida sexual.

Embora 50% dos estudantes no final do segundo grau estejam engajados em relações sexuais [...] e os adolescentes sejam bombardeados com mensagens sexuais pela mídia, os administradores escolares e os pais ainda relutam em ver seus adolescentes questionados sobre suas atividades sexuais, mesmo com o uso de consentimento informado. (STRASBURGUER, 1999, p. 66)

Outro fator importante a ressaltar é sobre a idade dos adolescentes que iniciam suas relações sexuais, segundo Müller (2002, p. 60) 70,5% dos adolescentes citaram que suas primeiras relações foram em idade média de 15,4 anos. Ainda sobre a relação sexual, segundo reportagem de Müller (2003, p. 103), cerca de 1 milhão de meninas, no Brasil, não acreditam que possam engravidar sem o uso da camisinha, e engravidam, e um dado preocupante diz respeito ao contágio da AIDS, no qual 61% dos brasileiros não acreditam que a AIDS possa matar.

Um dos problemas enfrentados pelos adolescentes é saber como se prevenir nas relações sexuais, podemos observar que eles não possuem informações suficientes ou a prevenção é esquecida como mostra Takiuti ([s.d.] p. 63) ao falar dos métodos anticoncepcionais, “[...] a grande maioria é a favor do método ‘naturalmente nada’”. Assim iniciam, sem informações suficientes, a sua vida sexual. (COSTA, 1996, p. 107).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA, Cristina da. Os grilos da galera: as questões da adolescência hoje. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1996.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade 1: a vontade de saber. 13 ed. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

MÜLLER, Laura. Seção “Sexo”. Capricho. São Paulo, n. 887, 5 mai 2002, p. 60.

_________. É preciso falar de sexo. Escola. São Paulo, 18 ago. 2003.

PIGOZZI, Valentina. Celebre a autonomia do adolescente: entendendo o processo de iniciação na vida adulta. São Paulo: Editora Gente, 2002.

STRASBURGER, Vitor C. Os adolescentes e a Mídia: Impacto Psicológico. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

TAKIUTI, Albertina. A adolescente está ligeiramente grávida. E agora?. São Paulo: Iglu, [s.d.]

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Propaganda e adolescentes: linguagem e sedução

Quando falamos em comunicação para adolescentes temos que considerar as várias formas usadas para se passar essas informações, além disso observar se ela realmente utiliza-se de argumentos e linguagens apropriadas para o mundo em que o jovem vive.

Partindo daí percebemos uma grande carência no que diz respeito a programas, na mídia aberta, que falem diretamente ao adolescente e o pouco que é oferecido não chega claramente ao jovem. Este problema, muitas vezes, se dá pela falta de intimidade e conhecimento que o profissional tem em relação ao adolescente, assim deixando nítido que ele não está preparado para levar a informação para o público de destino, mas para o seu próprio público, da sua faixa etária e com a sua linguagem.

São pouquíssimos os que realmente conseguem levar a informação de forma que o adolescente seja atingido e que chame a sua atenção, fazendo com que perceba que a reportagem é direcionada para ele, fazendo com que haja dessa forma uma identificação mais rápida e em conseqüência uma assimilação, por parte do jovem, mais clara e direta. Generalizando a situação, em se tratando da comunicação nos programas de televisão é possível ver que as reportagens e as informações são apresentadas de forma compacta e sintetizada o que, muitas vezes, não atinge o público adolescente, mesmo que a mensagem seja para ele, isso mostra que raramente as matérias tem o hábito de diferenciação dos públicos em formato e linguagem. Desta forma percebemos que os programas não enxergam e não diferenciam o público adolescente, o qual espera, como todos os outros públicos, receber informações que dizem respeito ao seu mundo, seus hábitos e seus semelhantes. Para exemplificar o uso de linguagem apropriada para o público adolescente observamos o exemplo de dois programas de televisão: Programa Livre e Malhação.

O Programa Livre, extinto programa do SBT, falava diretamente ao jovem lançando temas e discussões que alertavam a curiosidade e atenção deste público, utilizando a irreverência como principal arma para fazer com que a platéia participasse e se sentisse parte integrante daquele grupo em debate. O programa fazia com que Serginho Groismann, seu apresentador, se tornasse o porta-voz do jovem.

Propiciar espaços onde essas adolescentes possam simplesmente ser o que são e consigam se expressar quanto a sentimentos e expectativas num ambiente de acolhimento pode ser muito mais eficaz do que panfletos científicos, apesar de uma conduta não excluir a outra. (PIGOZZI, 2002, p. 116)

Outro programa direcionado para o adolescente com formato, linguagem e temas apropriados para a faixa etária é a novela Malhação, apresentada durante a semana. Com personagens jovens e apresentada e locada em escola, clubes e república, tenta retratar a realidade deste público através dos mais variados problemas e dúvidas como: sexo, namoro, escola, amigos, brigas e outros temas. Fazendo com que o jovem se enxergue nas situações vividas pelos personagens.

De tantos programas oferecidos na mídia de massa aberta distinguem-se estes dois como sendo direcionados aos adolescentes com linguagem e formato bem específicos. Genericamente a televisão não consegue enxergar o jovem como sendo um público que também necessita de informação, de conhecimento e que, além disso, possui muitas fantasias e dúvidas nos mais variados assuntos, principalmente em relação à sua sexualidade, tema pouco explorado na mídia, mas de grande interesse e curiosidade para os adolescentes.

Entrando na publicidade e na sua comunicação para os adolescentes percebemos grande diferenciação comparando com as apresentadas acima. Se nos programas de televisão, em sua maioria, a linguagem não está apropriada para o jovem e não o enxerga como público ativo, na publicidade este panorama muda radicalmente, pois além de enxergar, ela utiliza-se dos mais variados recursos para convencê-lo, persuadi-lo e integrá-lo à sociedade de consumo de uma determinada marca, fazendo com que sinta-se parte integrante deste mundo e, consequentemente, do espaço em que ele visualizou como ideal para viver.

Carvalho (2003, p. 11) diferencia bem estes dois tipos de comunicação, o jornalismo e a publicidade, “Ao contrário do panorama caótico do mundo apresentado nos noticiários dos jornais, a mensagem publicitária cria e exibe um mundo perfeito e ideal [...].” Além de persuadir e manipular, a publicidade também faz com que o receptor da mensagem se transporte para um mundo ideal, para um lugar onde tudo é perfeito, onde todas as pessoas são maravilhosas e felizes.

É através desta linguagem que somos seduzidos e levados a determinadas atitudes e desejos. Sedução esta que faz com que a publicidade utilize-se de recursos e linguagens capazes de mudar, informar e manipular a atitude do consumidor perante determinados produtos ou idéia, ela é capaz de ordenar sem que o receptor perceba a intenção da mensagem.

Sabemos que na publicidade o adolescente é valorizado e visto como um público em potencial com suas diferenciações e linguagens próprias, mas em sua maioria nos comerciais, anúncios e outras propagandas ele apenas é visto como consumidor. São usadas estratégias para chamar a atenção do adolescente para determinadas marcas e produtos, mas pouco se fala nas atitudes, comportamentos e em temas que possam ajudá-lo no desenvolvimento e crescimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, Nelly de. Publicidade: a linguagem da sedução. 3. ed. São Paulo: Ática, 2003.

PIGOZZI, Valentina. Celebre a autonomia do adolescente: entendendo o processo de iniciação na vida adulta. São Paulo: Editora Gente, 2002.
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quarta-feira, 1 de maio de 2013

eBook "Experiências de consumo contemporâneo" - download gratuito



No momento midiático em que vivemos – diante dos compartilhamentos, postagens, produções feitas pelos fãs ou até mesmo simples comentários nas redes sociais, torna-se cada vez mais importante entender as novas formas de produção, consumo e interação propostas pelas diferentes plataformas de mídia. A convergência dos conteúdos é hoje um dos grandes caminhos para se alcançar um público específico, o que anteriormente era mais complicado considerando as mídias de massa.

Pensando na relação entre as mídias convergentes, o consumo e os usuários, os pesquisadores Patricia Bieging e Raul Inácio Busarello criaram o projeto do livro digital “Experiências de consumo contemporâneo:pesquisas sobre mídia e convergência”, da Editora Pimenta Cultural.
Patricia Bieging e Raul Inácio Busarello (orgs.)
eBook gratuito: clique aqui para baixar
Este projeto surgiu da necessidade de descobrir e unir pesquisas e pesquisadores de todo o Brasil que estivessem estudando consumo e convergência midiática. “O foco principal estava justamente na vontade de mapear estudos voltados à temática e realizar o compartilhamento das pesquisas de forma gratuita e acessível”, diz Patricia Bieging. Porém, a chamada para submissão dos artigos ultrapassou as fronteiras e trouxe contribuições também de Portugal. Do Brasil participam do livro pesquisadores de Santa Catarina, Minas Gerais, Pernambuco e São Paulo: Aline Francielle dos Santos Oliveira, Ana Melro, Beatriz Braga Bezerra, Brenda Lyra Guedes, Celso Figueiredo Neto, Felipe José de Xavier Pereira, Gabriela Falcão Klein, Lídia Oliveira, Lígia Stella Baptista Correia, Maria de Lourdes Bacha, Mariana Lapolli, Patricia Bieging, Raul Inácio Busarello, Roseméri Laurindo, Sílvia Almeida da Costa, Tarcísio Vanzin, Vania Baldi, Vania Ribas Ulbricht.

O livro traz em diferentes capítulos reflexões acerca da mídia, do consumo e da convergência. As abordagens partem da produção, da inovação e das formas de interação com o público, além de estudos que evidenciam a participação ativa dos usuários nas redes sociais. “Todas as propostas foram cuidadosamente avaliadas pelo nosso Comitê Editorial, formado por Mestres e Doutores de áreas afins. Temos a certeza de que as pesquisas trazem importantes contribuições para o campo científico e também mercadológico”, diz Busarello.

O eBook é dividido em 11 capítulos (clique aqui para download gratuito):

I - Convergência e erosão de espaços no meio rural português através do consumo das novas mídias, onde os autores abordam a questão do consumo de novas mídias/écrans por sujeitos nascidos nas décadas de 60 e 70 e residentes no meio rural português. Analisou-se o uso destas mídias em ambientes como: trabalho, escola, lazer e família.
Autoras: Ana Melro e Lídia Oliveira
Universidade de Aveiro – Portugal

II - Território hipermediatizado e convergências multilocalizadas: dialética entre terra e nuvens, traz uma reflexão acerca das relações com o espaço e as implicações dos serviços georreferenciados nas dinâmicas de apropriação do território.
Autores: Vania Baldi e Lídia Oliveira
Universidade de Aveiro – Portugal

III - Visualização da informação por meio da infografia digital: uma análise sob o ponto de vista da semiótica peirceana, traz a interpretação dos signos da tela inicial de um infográfico digital, demonstrando as ambiguidades e as contradições presentes no objeto.
Autores: Mariana Lapolli, Tarcísio Vanzin e Vania Ribas Ulbricht
Universidade Federal de Santa Catarina

IV - Publicidade infantil nos indicadores de sustentabilidade para agências, são refletidas as questões da publicidade e do merchandising direcionado ao público infantil, assim como a discussão acerca dos Indicadores de Sustentabilidade da Comunicação.
Autoras: Roseméri Laurindo e Aline F. S. Oliveira
Universidade Regional de Blumenau

V - Consumo, infância e marcas: estabelecendo vínculos através das redes sociais digitais, são analisadas as estratégias das ações publicitárias adotadas por empresas de grande destaque nacional, especialmente, com foco nas redes sociais para chamar a atenção do público.
Autoras: Brenda Lyra Guedes e Sílvia Almeida da Costa
Universidade Federal de Pernambuco

VI - A mídia e o envolvimento das crianças na produção de conteúdo cultural, apresenta a reflexão sobre o papel do consumo de produtos culturais e na possibilidade da participação ativa das crianças na produção de conteúdos.
Autora: Ligia Stella Baptista Correia
Pontifícia Universidade Católica - SP

VII - Aprendendo a (vi)ver com a Capricho: no evento NoCapricho, traz a pesquisa e vivência da autora durante o evento anual de música realizado pela Revista Capricho. Consumo, convergência e identidades são problematizadas através da experienciação e observação da pesquisadora.
Autora: Gabriela Falcão Klein
Universidade Federal de Santa Catarina

VIII - Virei um Big Mac: as classes CD e a vaidade fast food” traz uma pesquisa realizada com 420 indivíduos da cidade de São Paulo, onde são abordadas as questão da aparência e da vaidade por consumidores das classes C e D.
Autores: Maria de Lourdes Bacha e Celso Figueiredo Neto
Universidade Presbiteriana Mackenzie

IX - Fanfiction: possibilidade criativa nos ambientes digitais traz uma reflexão sobre as redes digitais provenientes de filmes brasileiros, tendo como objetivo analisar as possibilidades de participação e interação dispostas pelos produtores aos fãs. Além das ações de marketing adotadas que visam tal iniciativa.
Autora: Beatriz Braga Bezerra
Universidade Federal de Pernambuco

X - A subversão do sujeito: o produsuário nas interações em rede e relações de consumo apresenta uma reflexão sobre as novas formas de interação, participação e produção dos sujeitos frente às ações promocionais realizadas por grandes empresas, tanto do Brasil quanto do exterior.
Autor: Felipe José de Xavier Pereira
Universidade Federal de Juiz de Fora

XI - Telenovela e transmidiação: o caso da temporada Malhação Conectados, analisa como a narrativa apresentada na mídia televisiva serve de apoio para que o telespectador utilize o ambiente da web como agente de motivação e solidificação do produto midiático. A pesquisa tem como foco refletir sobre as possibilidades de interação entre o espectador e as formas narrativas apresentadas.
Autores: Patricia Bieging (Universidade de São Paulo) e Raul Inácio Busarello (Universidade Federal de Santa Catarina).

O livro já está disponível para download gratuito no site da Editora Pimenta Cultural - www.pimentacultural.com, menu: “publicação de livros”.

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Livro: Populares e Perdedores: crianças falam sobre os estereótipos da mídia

No próximo dia 16/11 lanço o meu primeiro livro. O principal objetivo desta publicação é dividir com o público a minha pesquisa realizada entre os anos de 2009 a 2011. Este é um momento de alegria e de muita satisfação. Acredito que toda pesquisa que traga sérias e importantes contribuições precisa ser compartilhada. A partir das evidências apresentadas no livro acredito que podemos mudar alguns fatos e rever alguns (pré)conceitos.


SINOPSE:


A cultura das mídias possui grande participação no processo de construção de significados e identidades vividos pelas crianças. De forma complexa, colabora com a constituição de modos de pensar e agir, tanto no sentido da massificação e padronização do cotidiano, como abrindo espaços para processos alternativos de formação de identidade. A abordagem deste livro considera que as pessoas negociam, ressignificam e se apropriam de formas diferentes dos mesmos conteúdos. 

A pesquisa de recepção com crianças aqui apresentada foi desenvolvida a partir do seriado Hannah Montana e do desenho animado Zica e os Camaleões. Esta obra traz reflexões acerca de como esses sujeitos se relacionam com as representações identitárias produzidas pelas mídias, e como tais representações são eventualmente efetivadas nas suas práticas culturais cotidianas. O foco do trabalho está diretamente relacionado ao que as crianças dizem sobre as diferentes identidades midiáticas e como participam deste circuito. Apesar de as crianças naturalmente se dividirem em grupos, com ou sem a televisão, pois isso é próprio da vida social, foi evidenciado como isso acontece hoje a partir da televisão. Estereótipos como populares e perdedores, além de outros, se mostraram presentes no cotidiano escolar das crianças.

Entre os relatos a questão da violência, das práticas de bullying, mostrou-se diretamente ligada a esta classificação. Ficou evidente que uma das causas desta divisão entre as crianças está muito mais ligada à intolerância e a desigualdade social, do que unicamente no que as mídias podem sugerir.


A AUTORA:

Patricia Bieging é Publicitária, Especialista em Propaganda e Marketing e Mestre em Educação, na linha Educação e Comunicação, pela Universidade Federal de Santa Catarina – UFSC. É pesquisadora assistente no Núcleo de Pesquisa Infância, Comunicação e Arte, do CNPq. Tem experiência na área de Comunicação, com ênfase em telecomunicação, planejamento e marketing corporativo e cultural. Suas publicações abordam temas ligados a: televisão, transmídia, identidade cultural, estereótipo, subjetividade, práticas culturais e de consumo.

Capa e ilustrações: Raul Busarello.


ONDE COMPRAR:

- Livrarias Catarinense: internet e nas lojas de SC e SP.
- Mercado Livre: envio por carta registrada para todo o Brasil.
- Direto com a autora: patricia.big@hotmail.com - envio por carta registrada para todo o Brasil.

Em breve em outras livrarias do Brasil.

Curta a página do livro "Populares e Perdedores" no Facebook.

terça-feira, 31 de maio de 2011

Publicitárias catarinenses integram equipe de produção em Mostra de Artes em SP

por Raul Inácio Busarello

As publicitárias catarinenses Patricia Bieging e Suzan Marina dos Santos participarão entre os dias 31 de maio a 20 de junho da produção da mostra “É crédito ou débito?”, que faz parte da Mostra SESC de Artes de São Paulo.

Suzan (esq.) e Patricia (dir.)
Sob curadoria de Josué Mattos, essa mostra tem como objetivo realizar ações urbanas em que os artistas e o público negociam a compra, a venda e/ou a troca de conversas, gestos, textos ou objetos simbólicos, discutindo questões sobre a sociedade de consumo e o mercado da arte. As publicitárias serão responsáveis por assessorar os artistas, percorrendo uma série de cidades do interior de São Paulo.

“Para mim essa será uma grande experiência, pois eu, como sendo uma pessoa do mercado, terei a oportunidade de nesse período refletir junto com os artistas o papel do consumidor versus a uma produção constante de bens simbólicos”, diz Patricia Bieging, que além da atuação no mercado tem várias publicações acadêmicas acerca da construção subjetiva a partir das práticas de consumo. Já Suzan Marina, conhecida no mercado por sua atuação na área de mídia, diz que esta experiência abrirá novos horizontes para a sua atuação profissional. “Terei a oportunidade de conhecer pessoas e lugares novos atuando em uma função que sempre tive a curiosidade de exercer. Acredito que será uma experiência maravilhosa”, diz a publicitária.

No período da mostra as publicitárias prometem nos manter informados sobre o desenvolvimento das ações.

Quem são elas

Patricia Bieging é publicitária, especialista em propaganda e marketing, e mestranda em Educação e Comunicação pela UFSC. Atua no mercado na área de marketing, planejamento e produção de eventos culturais e corporativos. Realizou trabalhos para o Grupo RBS, TV Record SC, Macedo Agroindustrial, Museu de Artes de SC, UFSC, Cartoon Network, HBO, Discovery Channel, Disney Channel, Viacom e ESPN.

Suzan Marina dos Santos é formada em Comunicação Social, com habilitação em Publicidade e Propaganda pela Estácio de Sá, tendo atuado nas principais agências de Florianópolis, na área de mídia. Com passagem pela Mercado Propaganda, Marcca, Criação, Neo Vox, e Gás Multiagência.

Fonte: Acontecendo Aqui

segunda-feira, 10 de janeiro de 2011

ARTIGO: Perdedores e Populares: Glee e as representações estereotipadas na mídia brasileira

Artigo aprovado e apresentado no Congresso Internacional de Artes, novas Tecnologias e Comunicação 2010. Realizado de 27 a 29 de outubro de 2010 em São Paulo - SP.


Apoio: Fundo de Apoio à Manutenção e ao Desenvolvimento da Educação Superior (FUMDES), Secretaria de Estado de Santa Catarina.

Página do artigo: 368.

Resumo

Este artigo se propõe a realizar algumas reflexões sobre as representações dos estereótipos de “perdedores” e de “populares”, apresentados no seriado americano Glee, veiculado pelo canal FOX no Brasil. Partimos da hipótese de que estas representações identitárias vêm tendo presença importante na configuração ficcional de enredos voltados aos jovens, principalmente nas mídias e inclusive no Brasil. As principais bases teóricas são: Kellner, voltado para a cultura da mídia a partir da ênfase dos Estudos Culturais; Hall e Bauman, teóricos das identidades culturais.

Palavras-chave: comunicação; identidade cultural; cultura da mídia; televisão.

(Para abrir o artigo clique com o botão direito no link e depois em "abrir em nova aba ou janela". 
Apresentando o artigo no auditório da USP-Leste
Foto com Reinaldo um dos organizadores do evento.

ARTIGO: Harry Potter e a Pedra Filosofal: representações dos modos de ser

Artigo aprovado e apresentado no IV Encontro de Pesquisadores em Comunicação e Cultura da Universidade de Sorocaba – SP. Realizado de 27 a 29 de outubro de 2010.

Resumo do artigo:

Este artigo traz reflexões buscando, na história do livro Harry Potter e a Pedra Filosofal de JK Rowling, fragmentos da vida cotidiana que parecem ajudar a estabelecer significados e produzir subjetividades junto aos leitores. Porém, sabemos que a apropriação dos bens simbólicos e materiais oferecidos tanto na obra quanto nos produtos da mídia, apenas têm sentido quando se tornam parte da rotina dos indivíduos, quando passam a ser parte das ações do cotidiano. Assim, observou-se que os leitores podem ter, nas palavras da autora, uma ligação com a sua própria realidade, estabelecendo grande proximidade e identificação com as situações apresentadas na obra. As histórias dos personagens estabelecem ligações com acontecimentos cotidianos como, por exemplo, conflitos no ambiente da escola, a busca pela felicidade, atos de discriminação, além de outras situações destacadas nesta análise. O estudo teve como principais eixos teóricos: Douglas Kellner, voltado para as análises da cultura da mídia a partir da ênfase dos Estudos Culturais; Félix Guattari e Suely Rolnik, sobre os processos de construção de subjetividades; e Maria Aparecida Baccega, partindo da teoria dos discursos com enfoque no papel da palavra na vida social.

Palavras-chave: Cultura da Mídia. Subjetividade. Cotidiano.

 

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

"Populares" e Perdedores": crianças e produção de sentidos a partir do seriado "Hannah Montana"

Apresento aqui um breve resumo da minha pesquisa de mestrado.
Prazo para conclusão: agosto 2011.

Pôster apresentado no III Seminário de Pesquisa em Mídia-Educação, realizado nos dias 23 e 24/09/2010. CED/UFSC.

Mestrado em Educação, linha Educação e Comunicação - UFSC.

Clique em cima da imagem para ampliá-la.

domingo, 23 de agosto de 2009

Adolescentes: sexo, transformações e mídia

A adolescência é uma fase de transformações, desenvolvimento e novos conhecimentos, é a partir dela que o jovem começa a se descobrir sexualmente e criar seus próprios conceitos com relação à vida. Surgem muitas dúvidas e mudanças, seja ela na sexualidade ou na transformação do corpo, é neste momento que começam a acontecer o primeiro beijo, namorado e o interesse pelo início da vida sexual. Valentina Pigozzi (2002, p. 98), psicóloga clínica, farmacêutica-bioquímica e especialista em terapia de adultos, adolescentes, casais e família faz a seguinte colocação: “Na puberdade, o sexo deixa de ser uma possibilidade ou eventualidade para se tornar uma realidade, muitas vezes incômoda de início.”. Com essa passagem da infância para a adolescência aparecem as dúvidas, tabus, preconceitos e a falta de esclarecimentos, tudo novo e confuso para a cabeça do jovem. Segundo Foucault (1988, p. 13) “A idéia do sexo reprimido, portanto, não é somente objeto de teoria. [...] dizer que o sexo não é reprimido, ou melhor, dizer que entre o sexo e o poder a relação não é de repressão, corre o risco de ser apenas um paradoxo.” A partir desse momento, o jovem começa a buscar uma identificação dentro da sociedade, surgem assim os medos, vergonhas e incertezas.

Nesta fase, os pais não seriam os únicos confidentes, algumas vezes não serão eles que os jovens procurarão para contar segredos e dividir suas descobertas. Os laços familiares tomam outras formas e os pais passam a não participar integralmente da vida do adolescente como na infância, assim, as confidências passam a ser trocadas entre amigos, os quais também vivenciam as mesmas experiências.

[...] nem sempre ele falará com os pais a respeito de sexo e suas preocupações em relação a esse tema. Na maioria das vezes, o recurso utilizado será a troca de confissões e experiência com os colegas, buscando saber com os iguais como cada um está fazendo para lidar com temas espinhosos como masturbação e homossexualidade [...]. (PIGOZZI, 2002, p. 99)

A adolescência é uma fase de descobertas, de indagações e é justamente nela que acontecem os conflitos em casa, com os pais. Muitas vezes, os pais, não estão preparados para encarar a transformação dos filhos e passam a repreendê-lo e a impor regras. “Os jovens, por sua vez, para não preocupar os adultos, para adiar as broncas e as manifestações de decepção, preferem esconder lá no fundo do bolso ou embaixo do tapete os medos e as incertezas. Assumem então a irreverência e o descaso.” (COSTA, 1996, p. 22)

Assim, intimidado e não querendo criar preocupação, o jovem não encontra abertura para conversas com os pais. Dessa forma ele se vê na condição de ter que guardar consigo seus medos e incertezas para não precisar passar por repressão dentro de casa.

Com este processo de descobertas, sensações e desenvolvimento físico o jovem passa a buscar um espelho daquilo que gostaria de ser ou de se tornar após esta fase de crescimento. É a partir daí que ele procura na mídia estereótipos do que considera o ideal físico e intelectual, espelhando-se em artistas, sem perceber que estes modelos são produzidos para estar diante das câmeras. “Esquecem-se de que na mídia se estão diante de um personagem produzido, maquiado, sob iluminação adequada, com falas e comportamentos ensaiados, controlado por uma equipe especializada em trabalhar com o imaginário.” (PIGOZZI, 2002, p. 113) Dessa forma o adolescente imagina situações e representações de atitudes, além disso baseiam-se em relações sexuais apresentadas pela televisão, em novelas, as quais pode-se perceber, raramente simulam o uso de preservativos. “O adolescente não sabe como vai ficar quando terminar seu processo de crescimento, mas gostaria de escolher. Por isso, tenta se moldar a modelos fornecidos aqui ou ali, principalmente aqueles gerados pela mídia.” (Id. Ibid., p. 82)

Entrando no campo da interferência da mídia no desenvolvimento, observa-se que os jovens muitas vezes não possuem o entendimento para discernir as imagens, conceitos e preconceitos levantados pelos programas de televisão, principalmente pelas novelas. Nas situações apresentadas pelos programas de televisão raramente vemos discussões que tragam a informação completa e clara para o jovem. Em se tratando de novelas isso vai ainda mais além, levando em conta que os atores, nas novelas, retratam situações muito diferentes das vividas pela maioria dos adolescentes brasileiros, o principal é o fato dos atores que em cenas de relações sexuais raramente usam preservativos, mas não engravidam e não contraem doenças sexualmente transmissíveis, mesmo sendo casados ou tendo vários parceiros sexuais.

A maior parte dos pesquisadores concordaria que as novelas representam a visão mais sensacional, pouco apurada e adictivada da sexualidade adulta. O sexo extraconjugal é retratado oito vezes mais que o sexo entre pessoas casadas; 94% dos encontros sexuais exibidos são entre pessoas não-casadas [...]. Apesar de a menção ou uso de contracepção ser extremamente rara, as mulheres raramente engravidam; ninguém adquire DST a menos que ela ou ele seja prostituta ou gay [...]. Infelizmente, as adolescentes são espectadoras particularmente àvidas das novelas da tarde e as mais recheadas de sexo [...]. (STRASBURGER, 1999, p. 63)

O jovem perante programas como estes e sob a ilusão de que ‘com ele não acontecerá’, age da mesma forma na vida real, sem se dar conta de que nos espetáculos os acontecimentos são monitorados, ensaiados e não acontecem da mesma forma como nos é mostrado na televisão. “Existe a certeza de que com ele não acontecerá nada de errado, pois ele não se permite sequer pensar a respeito. Se não entra em sua cabeça, em seus valores, não acontecerá. Com ele não.” (PIGOZZI, 2002, p. 101)

Levantando todos estes aspectos e observando o comportamento dos jovens, podemos perceber que diante de um ídolo é mais difícil para o jovem entender que o artista preferido também precisa se cuidar, usando preservativos e contraceptivos, já que na mídia, em novelas, ele não usa ou por ventura não comenta o assunto publicamente.

Em um estudo de 75 meninas adolescentes, metade grávidas e metade não-grávidas, as adolescentes grávidas assistiam mais a novelas antes de engravidarem e estavam menos propensas a pensar que suas personagens favoritas das novelas usariam contraceptivos [...]. (Strasburger, 1999, p. 65)

Diante de tantos modelos – tanto da mídia ou em casa – de comportamento e de personalidade o jovem fica confuso quanto ao rumo que deve dar à sua vida. Em casa as conversas com os pais são difíceis para ambos os lados, com os amigos a conversa torna-se mais acessível em se tratando de jovens que vivem situações parecidas e na mídia as poucas informações chegam de forma compacta não sendo direcionada ao mundo do adolescente, desta forma trazendo ainda mais dúvidas e confusão nas informações relacionadas à sexualidade. E dúvidas é que não faltam, são muitas, por exemplo sobre o uso de camisinha, sexo, doenças sexualmente transmissíveis, tudo relacionado ao início da vida sexual.

Embora 50% dos estudantes no final do segundo grau estejam engajados em relações sexuais [...] e os adolescentes sejam bombardeados com mensagens sexuais pela mídia, os administradores escolares e os pais ainda relutam em ver seus adolescentes questionados sobre suas atividades sexuais, mesmo com o uso de consentimento informado. (STRASBURGUER, 1999, p. 66)

Outro fator importante a ressaltar é sobre a idade dos adolescentes que iniciam suas relações sexuais, segundo Müller (2002, p. 60) 70,5% dos adolescentes citaram que suas primeiras relações foram em idade média de 15,4 anos. Ainda sobre a relação sexual, segundo reportagem de Müller (2003, p. 103), cerca de 1 milhão de meninas, no Brasil, não acreditam que possam engravidar sem o uso da camisinha, e engravidam, e um dado preocupante diz respeito ao contágio da AIDS, no qual 61% dos brasileiros não acreditam que a AIDS possa matar.

Um dos problemas enfrentados pelos adolescentes é saber como se prevenir nas relações sexuais, podemos observar que eles não possuem informações suficientes ou a prevenção é esquecida como mostra Takiuti ([s.d.] p. 63) ao falar dos métodos anticoncepcionais, “[...] a grande maioria é a favor do método ‘naturalmente nada’”. Assim iniciam, sem informações suficientes, a sua vida sexual. (COSTA, 1996, p. 107).

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

COSTA, Cristina da. Os grilos da galera: as questões da adolescência hoje. 2. ed. São Paulo: Moderna, 1996.

FOUCAULT, Michel. História da Sexualidade 1: a vontade de saber. 13 ed. Rio de Janeiro: Graal, 1988.

MÜLLER, Laura. Seção “Sexo”. Capricho. São Paulo, n. 887, 5 mai 2002, p. 60.

_________. É preciso falar de sexo. Escola. São Paulo, 18 ago. 2003.

PIGOZZI, Valentina. Celebre a autonomia do adolescente: entendendo o processo de iniciação na vida adulta. São Paulo: Editora Gente, 2002.

STRASBURGER, Vitor C. Os adolescentes e a Mídia: Impacto Psicológico. Porto Alegre: Artes Médicas Sul, 1999.

TAKIUTI, Albertina. A adolescente está ligeiramente grávida. E agora?. São Paulo: Iglu, [s.d.]

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Propaganda e adolescentes: linguagem e sedução

Quando falamos em comunicação para adolescentes temos que considerar as várias formas usadas para se passar essas informações, além disso observar se ela realmente utiliza-se de argumentos e linguagens apropriadas para o mundo em que o jovem vive.

Partindo daí percebemos uma grande carência no que diz respeito a programas, na mídia aberta, que falem diretamente ao adolescente e o pouco que é oferecido não chega claramente ao jovem. Este problema, muitas vezes, se dá pela falta de intimidade e conhecimento que o profissional tem em relação ao adolescente, assim deixando nítido que ele não está preparado para levar a informação para o público de destino, mas para o seu próprio público, da sua faixa etária e com a sua linguagem.

São pouquíssimos os que realmente conseguem levar a informação de forma que o adolescente seja atingido e que chame a sua atenção, fazendo com que perceba que a reportagem é direcionada para ele, fazendo com que haja dessa forma uma identificação mais rápida e em conseqüência uma assimilação, por parte do jovem, mais clara e direta. Generalizando a situação, em se tratando da comunicação nos programas de televisão é possível ver que as reportagens e as informações são apresentadas de forma compacta e sintetizada o que, muitas vezes, não atinge o público adolescente, mesmo que a mensagem seja para ele, isso mostra que raramente as matérias tem o hábito de diferenciação dos públicos em formato e linguagem. Desta forma percebemos que os programas não enxergam e não diferenciam o público adolescente, o qual espera, como todos os outros públicos, receber informações que dizem respeito ao seu mundo, seus hábitos e seus semelhantes. Para exemplificar o uso de linguagem apropriada para o público adolescente observamos o exemplo de dois programas de televisão: Programa Livre e Malhação.

O Programa Livre, extinto programa do SBT, falava diretamente ao jovem lançando temas e discussões que alertavam a curiosidade e atenção deste público, utilizando a irreverência como principal arma para fazer com que a platéia participasse e se sentisse parte integrante daquele grupo em debate. O programa fazia com que Serginho Groismann, seu apresentador, se tornasse o porta-voz do jovem.

Propiciar espaços onde essas adolescentes possam simplesmente ser o que são e consigam se expressar quanto a sentimentos e expectativas num ambiente de acolhimento pode ser muito mais eficaz do que panfletos científicos, apesar de uma conduta não excluir a outra. (PIGOZZI, 2002, p. 116)

Outro programa direcionado para o adolescente com formato, linguagem e temas apropriados para a faixa etária é a novela Malhação, apresentada durante a semana. Com personagens jovens e apresentada e locada em escola, clubes e república, tenta retratar a realidade deste público através dos mais variados problemas e dúvidas como: sexo, namoro, escola, amigos, brigas e outros temas. Fazendo com que o jovem se enxergue nas situações vividas pelos personagens.

De tantos programas oferecidos na mídia de massa aberta distinguem-se estes dois como sendo direcionados aos adolescentes com linguagem e formato bem específicos. Genericamente a televisão não consegue enxergar o jovem como sendo um público que também necessita de informação, de conhecimento e que, além disso, possui muitas fantasias e dúvidas nos mais variados assuntos, principalmente em relação à sua sexualidade, tema pouco explorado na mídia, mas de grande interesse e curiosidade para os adolescentes.

Entrando na publicidade e na sua comunicação para os adolescentes percebemos grande diferenciação comparando com as apresentadas acima. Se nos programas de televisão, em sua maioria, a linguagem não está apropriada para o jovem e não o enxerga como público ativo, na publicidade este panorama muda radicalmente, pois além de enxergar, ela utiliza-se dos mais variados recursos para convencê-lo, persuadi-lo e integrá-lo à sociedade de consumo de uma determinada marca, fazendo com que sinta-se parte integrante deste mundo e, consequentemente, do espaço em que ele visualizou como ideal para viver.

Carvalho (2003, p. 11) diferencia bem estes dois tipos de comunicação, o jornalismo e a publicidade, “Ao contrário do panorama caótico do mundo apresentado nos noticiários dos jornais, a mensagem publicitária cria e exibe um mundo perfeito e ideal [...].” Além de persuadir e manipular, a publicidade também faz com que o receptor da mensagem se transporte para um mundo ideal, para um lugar onde tudo é perfeito, onde todas as pessoas são maravilhosas e felizes.

É através desta linguagem que somos seduzidos e levados a determinadas atitudes e desejos. Sedução esta que faz com que a publicidade utilize-se de recursos e linguagens capazes de mudar, informar e manipular a atitude do consumidor perante determinados produtos ou idéia, ela é capaz de ordenar sem que o receptor perceba a intenção da mensagem.

Sabemos que na publicidade o adolescente é valorizado e visto como um público em potencial com suas diferenciações e linguagens próprias, mas em sua maioria nos comerciais, anúncios e outras propagandas ele apenas é visto como consumidor. São usadas estratégias para chamar a atenção do adolescente para determinadas marcas e produtos, mas pouco se fala nas atitudes, comportamentos e em temas que possam ajudá-lo no desenvolvimento e crescimento.

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

CARVALHO, Nelly de. Publicidade: a linguagem da sedução. 3. ed. São Paulo: Ática, 2003.

PIGOZZI, Valentina. Celebre a autonomia do adolescente: entendendo o processo de iniciação na vida adulta. São Paulo: Editora Gente, 2002.